Resenha de “Shot! — O mantra psico-espiritual do Rock”

O fotógrafo por trás de imagens conhecidíssimas de David Bowie, Lou Reed, Queen e várias outras dos anos 70: com vocês, Mick Rock!

(foto via The Talks — © Mick Rock)

 

Há quem diga que o rock morreu. Mick Rock, porém, continua vivo. O fotógrafo de nome sugestivo, autor de várias fotos que ilustram discos icônicos, segue vivo e fotografando, mesmo após consequências quase fatais do uso de drogas.

Como pode-se já imaginar, Rock é uma personificação do típico roqueiro famoso, ainda que sem a notoriedade tão considerável de vários de seus retratados; e nem ele toque algum instrumento ou cante numa banda. Nada que o impeça de ter seus momentos de estrela, amigos celebrados no mundo da música e — o que mais nos interessa, claro — ser bastante conhecido e requisitado em sua área.

Shot! — O mantra psico-espiritual do rock é um relato quase caleidoscópico pelo próprio ícone dos retratos e à altura de sua obra e personalidade. Isso significa uma produção repleta de cliques famosos, vídeos e experimentações variadas, amostra da mente de Mick Rock, capaz de misturar até yoga com drogas (e não é incenso). Em se tratando de um documentário que pretende fugir do comum (o que é bem evidente em Shot!) sobre um artista que retrata outros artistas, as ‘brincadeiras’ na produção são compreensíveis. Quase esperadas, até. Shot! termina por ser não apenas um documentário sobre um fotógrafo e sua obra, mas também uma referência visual.

A obra serve ainda para quebrar um mito e dar um alerta. O mito é o de que fotografia com filme — que Rock faz até hoje, aliás — significa economizar nos cliques. Se você não viu ainda, por exemplo, os copiões da Magnum, deve ficar admirado com os de Mick Rock. O alerta é quanto a clicar o que conhece mas saber e respeitar seus limites, especialmente físicos. Robert Capa morreu em um acidente e não numa guerra, mas o lembrete é sempre válido.

No mais, bom filme e, é bom dizer, boa viagem!