Filmes e séries para fotógrafos no Netflix

Tirar uma folga e ver um bom filme ou alguns episódios de uma série bacana no Netflix, como não gostar? Quando vamos assistir algo que tem tudo a ver com fotografia então é natural termos um entusiasmo ainda maior, seja por nos lembrarmos do porque fotografamos; seja por termos novas ideias com o que assistimos. Ou apenas por não querermos na hora nos desligar completamente do universo fotográfico, mesmo naquele tempo livre — acontece, vamos admitir… Para ajudá-los então reunimos alguns títulos perfeitos para aquela folga não tão folgada assim. Abre aí o Netflix e aproveita!

 

Tales by Light

Não é sempre que temos a união de duas grandes marcas extremamente ligadas à fotografia para produzir conteúdo audiovisual de primeira. Mais interessante ainda é ter a difusão através de um dos serviços mais utilizados hoje em dia por quem busca por filmes e séries em ótima qualidade. Assim é Tales by Light, uma série criada pela Canon e pela National Geographic especialmente para os fotógrafos e amantes da fotografia em geral, sejam praticantes ou não.

Os vários episódios por temporada acompanham fotógrafos e fotógrafas de variadas áreas e estilos, que vão de retratos tirados num alegre festival a imagens submarinas de seres tidos como os mais letais da Terra — sempre com imagens belíssimas, marca registrada da NatGeo. Testemunhando a produção dos cliques e um pouco do planejamento para as sessões pode-se sentir um pouco da mistura de imenso prazer, frustração e muito trabalho aliados à técnica, aos sentimentos e a capacidade de lidar com imprevistos mantendo a paciência e a dedicação, esses dois grandes motores dos fotógrafos profissionais. Recomendadíssima a todos.

Começar a  ver agora? Pode sim!

 

O Sal da Terra

Um misto de biografia e retrospectiva do trabalho do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, filho do famoso fotógrafo, é um filme que mistura memórias pessoais e profissionais, e assim passeia entre trabalhos e experiências de vida em geral.

O filme foi feito com base em conversas com Salgado e os vários livros publicados por ele, de forma que tanto revelam-se muitas de suas imagens quanto a pessoa por trás das fotos: o homem, o marido, o pai, o ecologista… Uma produção repleta de retratos e depoimentos sobre situações (des)humanas, paixão profissional, trabalhadores, família, natureza, respeito aos semelhantes e aos diferentes e, claro, o que é fotografar tudo isso pelo Brasil e pelo mundo.

Recomendado aos fãs do seu trabalho e aos que ainda não conhecem esse tão citado nome da fotografia brasileira.

Já quer assistir? Aqui está!

 

McCullin

É quase certo que em toda turma de fotógrafos haverá ao menos um corajoso que sonha em dar uns bons cliques em meio a um conflito bélico — se é que já não o fez e pretende repetir a dose. O que tal ousado fotógrafo talvez não saiba é o preço pago pelos fotógrafos ao clicar uma guerra. Não o preço em equipamentos, e sim aquele fator quase oculto nos livros do lendário Robert Capa: o pesado desgaste emocional, que muitas vezes é acompanhado por outros tipos de estresse. Afinal fotografar uma guerra passa longe de ser o mesmo que clicar uma animada festa de aniversário.

Don McCullin mostra-se notório exemplo de profissional adequado para não apenas falar sobre o que é registrar uma guerra, quanto personificar um profissional que tanto já clicou com afinco tais eventos; como esgotou-se de várias formas e encontra-se na contramão dos fotógrafos da área que almejam clicar guerras até morrer. Este documentário é, portando, bastante recomendado aos que desejam passar a vida de câmera na mão nas batalhas do mundo.

A real sobre o que é clicar guerras tá aqui.

 

Janela Indiscreta

Um dos filmes de ficção desta lista, este título dirigido por Alfred Hitchcock — certamente um dos mais bem-humorados do mestre do suspense — é protagonizado por um fotógrafo que recebe certa vez um belo castigo: ficar ‘de molho’ por ordens médicas. Como basicamente todo fotógrafo, porém, ele não fica exatamente quieto, especialmente quando começa a acompanhar o cotidiano dos vizinhos.

Com uma câmera e uma teleobjetiva à mão, e o auxílio de algumas pessoas que envolvem-se na trama, o personagem pratica então uma mistura de voyeurismo, exercício literário e investigação policial. Esse filme é bastante recomendado aos fotógrafos de rua, que adoram clicar desconhecidos por aí e imaginar (às vezes ilustrar) suas histórias.

Curtiu a vibe voyeur? Vai ver!

 

Nascidos em Bordéis

Por mais que muitos de nós fotógrafos pensemos assim — especialmente no começo do mergulho no fotojornalismo —, a fotografia não é tão poderosa sozinha quanto parece ser. O sonho de mudar o mundo fotografando esbarra facilmente em dificuldades várias, que por vezes podem até influenciarem-se entre si, provocando uma situação desesperadora. Nascidos em Bordeis nos mostra como boas intenções e talento não bastam para mudar em definitivo a vida de quem é tocado pela magia fotográfica, através da história encantadora (embora não tão feliz) de uma fotógrafa que decide ensinar sua arte a crianças que vivem em um bordel indiano. Os obstáculos vão desde o trabalho infantil até burocracia aliada a preconceito, e, apesar de tudo, Zana Briskis, a professora e co-diretora do documentário, consegue alguma vitória;

Recomendo esta obra marcante àqueles que pretendem fazer a diferença no mundo através da fotografia.

Aguenta o balde de água fria? Então vem!

 

O Abutre

Outra ficção, esta mais séria, O Abutre é uma produção dirigida por Dan Gilroy de intenso tom noir sobre a captação de imagens de crimes/tragédias e seu uso pela mídia.

Embora o protagonista possa parecer uma figura um tanto exagerada em sua ganância e frieza em seu trabalho — e na vida em geral —, é possível perceber dilemas morais que seriam comuns a todos, mesmo que a maioria das pessoas não tardasse muito a resolvê-los. Ou assim pensem que ocorreria com elas.

Bom para quem pretende refletir sobre a produção de conteúdo para as chamadas bloody news, e o uso comercial dos materiais típicos da área.

Fotojornalismo mórbido? Tá na mão.

 

Cidade de Deus

Mais uma produção brasileira na lista, esta dirigida por Fernando Meirelles. Um antigo conjunto habitacional que tornou-se uma favela — a tal Cidade de Deus — é palco de uma história que atravessa vários anos e transformações, tendo por pano de fundo o tráfico de drogas. À frente de tudo, dois meninos que tomam caminhos distintos. A fotografia, porém, de uma forma e de outra mantém os dois ainda ligados, realçando ora suas diferenças; ora suas semelhanças.

Um ponto bastante forte deste filme é a direção de fotografia marcante e muito bem realizada, envolvendo muito bem os vários temas do filme. Dessa forma a fotografia possui tanto um forte papel no enredo como no visual da obra, e assim Cidade de Deus é indicadíssimo aos que buscam uma obra nacional com ótima fotografia e aos fotojornalistas que desejam captar áreas cuja visão no imaginário popular pode ser equivocada.

Tiros, palavreado, drogas e fotografia nota 10? Tá aqui!

 

Chasing Ice

O aquecimento global é considerado por muitos como algo controverso ou simplesmente inventado. No entanto, sempre existem aqueles que vão atrás de provas, verificando o que é real e o que é mito entre tantas informações. James Balog é uma dessas pessoas, e assim após saber que ficaria cada vez mais difícil fotografar áreas e grandes blocos de gelo, decidiu ir a fundo nas causas e na amplitude do problema. Assim sendo, reuniu uma equipe e com eles registrou durante meses a fio o desaparecimento de imensas geleiras, através de um longo trabalho de registro tempo a tempo em vários locais do mundo.

Acredito que mesmo aos mais céticos é difícil de ignorar o conjunto de imagens produzidas por Balog e seus auxiliares, assim como seu imenso esforço pessoal investido em sua pesquisa. Acreditando ou não no chamado fenômeno do aquecimento global, vale ver esse documentário. Caso queira ter uma amostra ou resumo do trabalho, existe ainda uma curta palestra apresentada pelo fotógrafo, que podem assistir aqui (com legendas).

Para ver o filme completo, clique aqui!

 

Harry Benson: shoot first

Se você vê fotos de personagens marcantes da História — e, afinal, quem não vê?! — há uma boa probabilidade de você já ter visto alguma foto clicada pelo Harry Benson, Mas embora o sobrenome seja parecido, Benson não é Bresson, então mesmo quem é do ramo pode não ligar determinada foto tirada pelo fotógrafo britânico ao seu autor, mesmo sendo Benson um notório fotógrafo de gente bastante conhecida.

Benson clicou os Beatles, Michael Jackson, a princesa Diana, James Brown, Muhammad Ali, Judy Garland, Bill & Hillary Clinton… Vários deles em situações inusuais em fotos públicas de seus retratados, e todas com certa marca de exclusividade. Este documentário, porém, revela-nos o outro lado: como o fotógrafo chega lá. E o título já dá a dica: clique primeiro, deixe pra pintar e bordar depois. Mas antes aceite os trabalhos, que deles surgirão oportunidades interessantes.

Recomendadíssimo aos fotógrafos que produzem retratos e querem aprender um pouco de como deixar-se levar por demandas aparentemente não tão empolgantes.

Quer instiga pro job marromeno? Vem ver!

E mais uma indicação…

T1:E7 de Abstract — The art of design

O episódio de Abstract sobre o fotógrafo Platon é uma interessante aula digna sem dúvida de estar aqui. No sétimo mini documentário desta série mostra-se o processo criativo e o relacionamento, mesmo que temporário, com os retratados de um reconhecível fotógrafo autor de várias e inconfundíveis capas da revista  Time, Platon Antoniou. O fotógrafo greco-americano destila simplicidade e humildade sem esquecer a eficácia e o respeito àqueles que retrata, seja qual for sua língua, seu posicionamento político-econômico ou simplesmente sua timidez. E assim aprendemos como se faz uma capa para a famosíssima revista.

Para quem adoraria clicar figuras históricas mas teme deslumbrar-se.

Pronto pra aula? Vem assistir!